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Afinal, quem precisa de contabilidade?

Duvidas

Quando iniciei no ofício e o curso técnico de Contabilidade, em meados dos anos 90, lembro-me que empreendedorismo não estava tão em alta como atualmente, mas o fato é que, aquele que resolvesse formalizar um negócio, não se atreveria, sem o auxílio de um profissional da área contábil e muito menos sem manter escrituração contábil, independentemente do porte. Sem outra opção.

Mais de vinte anos se passaram e muitos questionam sobre a necessidade ou não de contabilidade, sobretudo para pequenas empresas.

Na minha percepção, esta polêmica teve início a partir da publicação do Regulamento do Imposto de Renda, em 1999, quando ficou definido que além de regras sobre como apurar impostos, a Receita Federal estabeleceu, para as empresas que escolhessem fazê-lo sobre o Lucro Presumido, a seguinte condição:

I – Manter a escrituração contábil nos termos da legislação comercial. Sendo que para efeitos fiscais é dispensável a escrituração quando a pessoa jurídica mantiver Livro Caixa, devidamente escriturado, contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária.

Muitos empresários e até profissionais contábeis ignoraram o início do parágrafo que diz: “manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial.” Acredito que passaram a se basear no texto restante, que diz: “Para efeitos fiscais é dispensável a escrituração quando a pessoa jurídica mantiver Livro Caixa, devidamente escriturado, contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária”. Assim criaram uma nova opção, que é a de manter um negócio sem contabilidade.

Apuração de imposto

A criação de outra modalidade de apuração de impostos também, na década de 90, refere-se ao Simples que, igualmente, dispensa a manutenção de escrituração, reforçando a tese de que não é necessário manter histórico contábil.

Por derradeiro, a consolidação da tese é reforçada com a instituição do MEI – Micro Empreendedor individual, que é uma forma simplificada de formalização de negócios e novamente, de recolhimento de impostos.  As ações de marketing para divulgação do sistema, afirma que o procedimento para inscrição e recolhimento do imposto é tão simples, que não necessita do auxílio do contador.

Então pronto! Se pelo próprio Fisco há a dispensa do uso da  contabilidade, para pagar os impostos, eu, empreendedor, questionaria: para que mais, eu,  preciso de contabilidade?

E quando ouço essa afirmação, logo penso: Mas será que este empreendedor abriu seu negócio somente para pagar impostos? Creio que não…

Um dos objetivos para os quais o empreendedor abre um negócio, por exemplo, certamente é o de obter lucro sobre o capital investido.  E apurar este lucro, é uma das funções da Contabilidade.

O principal objetivo da contabilidade é que com metodologias específicas, haja registros de todas as operações de um negócio e com isso produção de informações para os mais diversos usuários e finalidades. Aliás, inclusive, para o próprio. Defendo que  o empreendedor deveria ser  o primeiro a utilizar estas informações. E não ao acaso em grandes organizações, o setor fiscal é separado do setor contábil.

Mas há quem me diga: “OK mas o lucro do meu negócio, eu mesmo apuro, com base na movimentação do dinheiro que entra e sai na empresa. Não preciso de contabilidade para obter essa informação.”  E de novo devo desapontá-lo.

Vamos aos fatos:

Entrada e saída de dinheiro é fluxo de caixa e não apura lucro. Quem retira lucro do negócio, com base no que sobra na conta no final do mês, certamente, passa aperto financeiro. Afinal, o próprio imposto que é pago no mês é referente à operação do mês anterior e igualmente deve estar computado no lucro ou prejuízo do mês anterior.

Isso significa que, se a empresa tem funcionários, a situação piora. Quem nunca presenciou um empresário se desdobrando para conseguir honrar o pagamento das férias ou do décimo-terceiro salário de seus colaboradores? Certamente porque este valor que deveria ter sido poupado, mensalmente, ao longo do ano, foi distribuído antecipadamente como lucro.

A menos que o empresário seja contador e ainda assim, ele pode elaborar os mais diversos e incrementados relatórios sobre o desempenho do seu negócio. Porém ele percebe ou perceberá a importância dos velhos e bons demonstrativos contábeis, quando outros usuários, como bancos, investidores e clientes exigirem a apuração contábil para operações de obtenção de crédito e/ou fechamento de negócios.

Mesmo convencido de que precisa ter ou desenvolver um processo de contato com as informações contábeis, o empreendedor ainda justifica: Mas eu não gosto e não entendo nada de contabilidade.

Para estes eu digo: eu também não gosto e não entendo nada de óculos. Mas ainda assim uso. Porque preciso.

Eu não preciso aprender fazer óculos para enxergar melhor. Para isso eu procuro um médico e depois uma boa ótica. Os especialistas me explicam o detalhamento do meu grau de necessidade visual, assim como orientação sobre o  a melhor lente, armação, grau e aspectos de manutenção geral.

Do mesmo modo, o empreendedor também não precisa aprender fazer contabilidade. Ele pode procurar um bom contador que faça isso. E se quiser, ainda melhor, o ajude a utilizar a contabilidade a seu favor, na gestão do seu negócio.

E depois de ler todo este texto, você pode estar pensando que eu o escrevi porque estou vendendo meu peixe, como contadora. Mas acredite ou não este é o relato de uma empreendedora que durante algum tempo tentou administrar seu negócio sem o uso de informações contábeis. E por isso sofreu um bocado e hoje compartilha a sua experiência com votos para que todo empreendedor valide seus próprios dados contábeis, a favor do seu negócio.

Elaine Serra Melo é fundadora da Consultee Contabilidade.

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